MINERAIS QUELATOS

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    Quando se pensa em dieta, uma das principais preocupações é o correto aporte dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos). Não há dúvida na ciência quando afirmamos que a inadequação da oferta dos macronutrientes pode levar a redução da performance, catabolismo muscular, lesões e queda na resposta imunológica.
    Porém, o equilíbrio e modulação na produção de energia, ou melhor, na correta utilização desses macronutrientes como fonte de energia depende da presença de micronutrientes. Eles integram grande parte das enzimas chaves responsáveis pelo metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídeos, além da resposta antioxidante, síntese de hormônios, sono, cognição, detoxficação e neurotransmissão. Podemos afirmar que o consumo inadequado de micronutrientes associada à ingestão de energia abaixo das recomendações e descanso inadequado corroboram para o declínio do desempenho, comprometimento do sistema imunológico e consequentemente, o surgimento de lesões.
    Assim, devemos aumentar o cuidado em corrigir as possíveis deficiências, haja vista que elas comprometem não apenas a performance física, mas também a saúde clínica.
    Sob essa ótica, vejamos a interação de alguns minerais com o nosso metabolismo.
    O zinco é de extrema importância para o metabolismo e a ciência descreve a sua participação em inúmeras enzimas essenciais para o correto funcionamento do organismo. É consenso que o estresse e os exercícios intensos exacerbam a produção de espécies reativas de oxigênio, popularmente conhecidos com radicais livres. Esses radicais têm por excelência a capacidade de lesar membranas celulares e em excesso são nocivos ao equilíbrio orgânico. No entanto, sua produção é essencial para que organismo gere uma resposta adaptativa e estimule a produção de enzimas antioxidantes. Uma das principais enzimas antioxidantes, a Superóxido Dismutase (SOD), tem como cofator o zinco. Além disso, o zinco tem participação na estabilidade de receptores dos hormônios sexuais, bem como na manutenção de níveis adequados de proteínas transportadoras. Um dado interessante é que em exercícios onde se tem uma sudorese elevada, observa-se uma redução do zinco presente no sangue. Assim como o zinco, o cobre e o manganês são cofatores da SOD, logo também são minerais de extrema relevância na modulação do estresse oxidativo.
    Ainda com o objetivo de modular a resposta adaptativa frente aos radicais livres, o selênio também tem grande importância. Integrante de uma enzima antioxidante chamada de glutationa peroxidase, essa enzima também tem a função de atenuar os efeitos deletérios do excesso de radicais livres. Outra função de grande relevância é a sua participação no metabolismo tireoidiano. Enzimas chamadas de deiodinases, responsáveis por converter o T4 em T3, têm o selênio como cofator. A baixa conversão do T4 em T3 tem um impacto negativo na eficiência de produção energia.  Desta forma, níveis adequados de selênio respondem por um metabolismo energético mais eficiente, ou seja, otimizam a captação de substratos energéticos (carboidratos, proteínas e lipídeos) para serem transformados em energia pelo corpo.
    O magnésio, assim como outros minerais, participa de inúmeras funções no organismo. Nos exercícios, destaca-se por atuar nas enzimas de uma via de produção de energia denominada glicólise, sendo essencial na produção de ATP, molécula responsável pelo armazenamento e liberação de energia. Estudos demonstram que níveis adequados de magnésio estão correlacionados com concentrações adequadas de testosterona e menor incidência de câimbras.
    Sobre o cromo, a sua função é otimizar o metabolismo de absorção da glicose pela célula para ser metabolizada e transformada em energia. Seu mecanismo de ação ocorre por meio de sua ligação a uma proteína denominada apocromodulina, que por sua vez liga-se com os receptores de insulina na membrana celular. Estudos sugerem que o picolinato de cromo pode exercer uma ação positiva na melhora da composição corporal, promovendo o ganho de massa magra e redução de gordura, porém, outros estudos são controversos a essa conclusão.
    Por fim, o ferro, mineral essencial (juntamente com o zinco) para formação do grupo HEME na síntese de hemoglobina. Outro dado interessante é a relação do ferro com a saúde tireoidiana. A tireoperoxidase, enzima chave na organificação e produção dos hormônios tireoidianos, tem como cofator o ferro. Pacientes com deficiência desse mineral apresentam menor atividade dessa enzima, logo menor eficiência na produção desses hormônios.
    Fica evidente a complexidade do nosso organismo e sua interação com os nutrientes, reforçando ainda mais a presença do profissional de nutrição, agindo de forma eficiente na otimização da performance de atletas profissionais ou desportistas.

 

Por Marcelo Carvalho
Nutricionista

Profissional de Educação Física, Nutricionista, Docente do curso de Pós-Graduação em Nutrição Ortomolecular (FAPES/SP), Coordenador do curso de Nutrição Ortomolecular (FAPES/SP), Professor convidado do curso de Pós Graduação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), Professor convidado da Nutriscience Education and Consulting (Portugal), pós-graduado em Nutrição Esportiva Funcional,  atendimento em consultório particular com ênfase em Nutrição Esportiva e membro da SBNF.